A Comissão Europeia acusou o TikTok nesta sexta-feira (6) de violar a Lei de Serviços Digitais (DSA) ao não impedir que seu algoritmo de recomendação prenda usuários em "rabbit holes", sequências intermináveis de vídeos sobre tristeza, autolesão e imagem corporal. Segundo autoridades europeias, é a primeira vez que um regulador contesta diretamente o sistema de recomendação baseado em engajamento de uma grande rede social.
De acordo com Bruxelas, quanto mais o usuário interage com determinado tipo de conteúdo, mais o feed "Para Você" entrega vídeos parecidos. A investigação focou propositalmente em conteúdo legal e permitido pelas regras do próprio TikTok, como tendências do tipo "o que eu como em um dia", que parecem inofensivas isoladamente, mas se tornam prejudiciais pela repetição, sobretudo para jovens.
A Comissão afirma que as ferramentas do TikTok para quebrar esses ciclos não funcionam: diversificar o feed tem pouco efeito, atualizar a página ajuda só por pouco tempo e o botão "não tenho interesse" deixa de funcionar depois de um tempo. Os investigadores analisaram cerca de 20 mil vídeos com apoio de psicólogos e psiquiatras e querem que as recomendações passem a se basear no que o usuário diz explicitamente querer, e não em sinais como o tempo de visualização.
As conclusões são preliminares, e o TikTok pode contestar as provas. Se as violações forem confirmadas, a multa pode chegar a 6% do faturamento anual global da empresa. Em nota, o TikTok disse que as declarações da Comissão são "fundamentalmente imprecisas" e distorcem a arquitetura da plataforma.
É a terceira acusação da Comissão contra o TikTok neste ano, depois de casos sobre design viciante em fevereiro e proteção de contas de menores em julho. Os europeus dizem que outras plataformas têm o mesmo problema e que o caso serve de base para o KIDS Act, proposta que proíbe recomendar conteúdo a crianças apenas com base em engajamento.
Fonte: The Record