A equipe de inteligência de ameaças do Kaspersky identificou uma campanha contra instituições de ensino em países da África e da América Latina em que boa parte da invasão foi conduzida por inteligência artificial. Segundo a empresa, é uma das primeiras descrições públicas de um ataque real com um modelo de linguagem no comando da operação.

Os atacantes usaram o CyberStrikeAI, uma ferramenta de código aberto criada para testes de invasão. Nela, um modelo de IA instalado no servidor de controle planeja as ações, escolhe as ferramentas e gera os comandos, enquanto um programa implantado na máquina da vítima apenas os executa. O operador humano define o objetivo geral, e a IA decide os passos técnicos.

O acesso inicial foi manual, por meio de um servidor SQL Server comprometido. Depois de uma pausa de duas semanas, o agente de IA assumiu: garantiu a permanência no sistema em dois minutos, mapeou o domínio em cerca de cinco horas e, dias depois, espalhou-se pela rede, roubou credenciais e exportou bancos de dados em no máximo uma hora.

Para o Kaspersky, o caso mostra uma mudança no uso de IA por criminosos. Antes os modelos ajudavam em tarefas preparatórias, como escrever e-mails de phishing ou depurar código. Agora assumem a fase seguinte à invasão, que tradicionalmente exigia um operador experiente, o que pode acelerar ataques e torná-los mais acessíveis.

Fonte: Securelist (Kaspersky)