Uma vulnerabilidade crítica no kernel Linux, catalogada como CVE-2026-98432, afeta o processo de abertura de conexões TCP sobre IPv4 e pode ser explorada remotamente antes que qualquer aplicação peça login. A falha recebeu nota 9,8 de 10 e pode vazar memória do kernel, travar o servidor ou permitir a execução de código.

O problema é uma condição de corrida do tipo use-after-free: durante o handshake, uma operação libera da memória as opções IPv4 da conexão enquanto outro núcleo do processador ainda as lê para montar a resposta. O defeito existe desde o Linux 4.4, o que amplia muito o número de sistemas potencialmente afetados, de servidores web e bancos de dados a nós de Kubernetes.

A Anthropic divulgou um exploit de pesquisa que executa comandos como root em servidores que aceitam conexões Multipath TCP (MPTCP). A equipe de segurança da linguagem Go alertou que programas em Go habilitam o MPTCP por padrão no Linux desde a versão 1.24 e que ataques semelhantes podem ser possíveis mesmo sem MPTCP. Até 2 de novembro, não havia registro de exploração fora do ambiente de pesquisa, e a falha não constava no catálogo de vulnerabilidades exploradas da CISA.

A correção já está no kernel oficial, e as distribuições estão levando o ajuste para seus pacotes. A Red Hat publicou um alerta de impacto crítico e correções para o RHEL. A recomendação é conferir o kernel em execução com o aviso da sua distribuição, instalar a versão corrigida e reiniciar o sistema. Atualizar a aplicação ou reconstruir a imagem de um container não resolve, porque os containers usam o kernel do servidor hospedeiro. Desativar o MPTCP também não substitui a atualização.

Fonte: Cloudflare Radar (Zero Wire)