O GitHub contou que, ao longo do último ano, 99,99999% dos repositórios Git da plataforma passaram a existir em dois lugares ao mesmo tempo: nos data centers próprios da empresa e no Azure, a nuvem da Microsoft. Hoje, a maioria dos repositórios tem duas de suas cinco réplicas no Azure, que já atende cerca de metade do tráfego Git.

Segundo a empresa, o ritmo da migração foi ditado pela chamada virada agêntica: o tráfego cresce rapidamente com o uso de agentes de IA, e os data centers próprios esbarravam no limite de energia da região e em restrições da cadeia de suprimentos. A primeira cópia de um repositório chegou à região Central US do Azure em agosto de 2025.

Ficaram para trás justamente alguns dos repositórios mais movimentados. Hoje cada gravação bloqueia o repositório inteiro e espera a resposta de todas as réplicas, e uma réplica no Azure fica a cerca de 1.600 km dos data centers do GitHub, com 25 milissegundos por ida e volta na rede. Para quem já está no limite de gravações, esse atraso a cada push não é viável.

A solução é trocar o bloqueio do repositório inteiro por um controle por referência, como cada branch. Como agentes e desenvolvedores costumam enviar código para branches diferentes, as gravações deixam de esperar umas pelas outras. Em testes internos com tráfego realista, gravações em referências diferentes tiveram vazão de 3 a 4 vezes maior, com latência menor.

O passo seguinte é separar leitura e escrita, usando o Azure Blob Storage como fonte da verdade e réplicas de leitura criadas sob demanda, já que a maioria dos repositórios recebe entre 100 e 1.000 leituras para cada gravação. O GitHub promete apresentar a arquitetura final na próxima semana, durante o GitHub Universe.

Fonte: GitHub Blog